Companhia cresce na esteira do governo eletrônico

Como qualquer cidadão, Sérgio Rodrigues fica satisfeito quando centros de atendimento à população – como Poupatempo, em São Paulo; Vapt Vupt, no Ceará; ou UAI, em Minas Gerais – resolvem rapidamente as demandas do público.

Mas, para ele, essa não é só uma questão de cidadania. É de negócios também. Rodrigues lidera o Shopping do Cidadão, empresa de serviços e tecnologia que administra 20 desses centros no país – 15 em operação e cinco em implantação.

Com 1,5 mil funcionários, a companhia encerrou o ano passado com receita de R$ 100 milhões.

“O conceito é o de condomínio de convênios”, diz o empresário, que já comandou as operações brasileiras da americana Oracle e da indiana Tata Consultancy Services (TCS). Em geral, o contrato é fechado com uma secretaria de Estado, que convida outros órgãos públicos a se unir à iniciativa, com custos compartilhados.

“Passamos a incluir também prefeituras e juntas comerciais para ampliar os serviços, incluindo os exigidos para abrir uma empresa”, afirma. Em diversos países, o setor público tem sido pressionado a investir em ações de governo eletrônico, com a adoção de tecnologias que facilitem tarefas como tirar documentos e obter certidões.

Esse movimento está criando novas oportunidades para empresas privadas interessadas em fornecer equipamentos, softwares e serviços. O Brasil está em uma categoria intermediária no ranking de eficiência dos serviços públicos na América Latina. Não é o pior, mas está longe dos primeiros lugares, de acordo com o Banco Interamericano de Desenvolvimento. Em média, um trâmite burocrático no país consome 5,5 horas – pouco acima da média na região, de 5,4 horas.

Na Bolívia, último lugar da lista, o tempo é de 11,3 horas, enquanto no Chile, o mais bem colocado, é de 2,2 horas. A eficiência no atendimento está diretamente ligada à quantidade de idas que o cidadão tem de fazer a uma repartição pública – algo que a tecnologia pode ajudar a reduzir drasticamente.

No Brasil, 25% dos trâmites exigem mais de três interações. Em El Salvador, melhor cenário da região, a porcentagem é de 15%. Na Bolívia, o pior, 41% dos procedimentos exigem três ou mais viagens. Rodrigues começou a montar um projeto voltado ao governo eletrônico em 2006. Na época, ainda estava na TCS. Em meados de 2008, ele deixou companhia indiana e fundou o Shopping do Cidadão, com o sócio Luiz da Rocha Salles Filho. No fim de 2014, os esforços foram do foco original – a administração dos centros de atendimento – para a criação de uma plataforma digital de governo eletrônico. Em busca de fornecedores de tecnologia para estabelecer essa rede, a empresa fechou acordo com a colombiana Quipux, responsável por projetos de mobilidade em Medellín e outras cidades da Colômbia. A aliança, diz Rodrigues, “pode envolver uma futura junção das empresas.”

A estratégia é avançar sob aquela que é considerada a principal tendência do mercado – um modelo misto, digital e presencial, em que o cidadão pode dar entrada no serviço de casa, via internet, e só ir à unidade de atendimento para finalizar o processo. Atualmente, 89% dos trâmites burocráticos na América Latina ainda são feitos presencialmente, segundo o BID, embora países como o Brasil ofereçam uma situação mais favorável: 75,4% dos trâmites no país podem, pelo menos, ser iniciados na web. O Shopping do Cidadão tem atuação no Rio, em Minas Gerais e no Ceará.

“Nas três maiores unidades, fazemos 25 mil atendimentos por dia”, diz Rodrigues. A empresa também já operou em São Paulo, Brasília e no Espírito Santo.

Há planos para ingressar em outros mercados, incluindo Goiás, onde está em andamento uma das maiores licitações do país. Existem, hoje, cerca de 80 pontos de atendimento em 49 municípios de Goiás. O projeto prevê chegar a 111 pontos em 94 municípios, com previsão de custo 40% inferior ao atual, por meio de processos de transformação digital.

“O projeto parou no ano passado e, agora, está em fase técnica”, diz Rodrigues. Como a plataforma tecnológica tem de ser única, quem ganhar a licitação fica com todo o projeto. Os modelos comerciais variam de Estado para Estado. Na maioria dos casos, prevalecem as parcerias público-privadas ou PPPs, que são mais flexíveis e permitem planejamento de longo prazo, de 15 a 20 anos, diz Rodrigues.

Mas há outros tipos de acordo. No Rio, por exemplo, os contratos são de 60 meses.

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